Afinal o que vem ser meditação? Segundo o dicionário seria refletir, pensar. Mas, será isso mesmo?
O termo meditação designa um estado de consciência, no qual ocorre o fenômeno da parada das ondas mentais, abrindo caminho para que a intuição possa fluir. O melhor termo para designar este estado de consciência seria intuição linear. Que pessoa nunca teve uma intuição? Em meus cursos, quando pergunto isso aos participantes, a marioria diz já ter passado pela experiência, porém como repetí-la conscientemente? Eis a função da meditação.
Através das práticas de SwáSthya, o yôga antigo, ao longo dos anos o praticante dedicado alcança este nível de consciência, um estado de maior lucidez, pois a intuição é um veículo que está acima do patamar chamado mental.
Explico melhor, todo ser humano possui: corpo físico, energético, emocional, mental, intuicional e monádico. Cada uma destas dimensões possui um patamar de consciência, respectivamente, do nível mais baixo para o mais alto. O patamar comum do ser humano é operar no nível de consciência mental e emocional. Como estes são mais densos que o intuicional, esse último fica eclipsado, assim como a luz do sol, mais forte, ofusca a luz das estrelas durante o dia. Para que a intuição possa fluir é necessário parar os veículos mais densos do ser humano. Quem nunca recebeu o seguinte conselho: não tome decisões enquanto estiver com as emoções a flor da pele. O que isto quer dizer? Que as emoções, mais densas, impedem uma boa linha de raciocínio mental.
Para alcançar a meditação, primeiramente obtemos uma posição corporal firme e confortável, depois estabilizamos as emoções, e na sequência a parte mais trabalhosa, parar as ondas mentais. Você já tentou ficar 10 segundos sem pensar em absolutamente nada? Faça esta experiência agora, sente-se confortavelmente com as pernas cruzadas e as costas eretas. Depois feche os olhos e tente parar seus pensamentos totalmente. Conseguiu? Com certeza 99,99999% das pessoas não irão conseguir. Isto ocorre pois a natureza de nossa mente é ser irrequieta, com uma criança mimada que precisa de novidades e agitação o tempo todo.
A prática de SwáSthya, o yôga antigo, é constituída por milhares de técnicas agrupadas em oito feixes. As sete primeiras partes da prática preparam o praticante para o treino de concentração, meditação e hiperconsciência que acontece na parte final. Em outro texto falaremos mais sobre a prática completa do SwáSthya.
Existem alguns tipos de treinamento de meditação. Um dos principais é a visual, na qual treinamos a concentração em um símbolo, um objeto. Uma outra técnica bastante utilizada é a concentração em um som repetido. Em geral, temos técnicas corporais, respiratórias e técnicas de vocalização que estimulam a concentração, e assim preparam melhor o praticante para o treinamento da meditação.
No SwáSthya desaconselhamos o treino unilateral de meditação, recomendamos sempre que o praticante treine todos os feixes de técnicas semanalmente. Podemos fazer uma comparação com a musculação. Se você exercita apenas um braço, ficará todo descompensado. O mesmo ocorre no yôga, precisamos exercitar nosso corpo, aumentar nossa energia, trabalhar o emocional, o mental e o intuicional, obtendo assim uma prática completa e balanceada.
O resultado deste incremento de lucidez e consciência mais plena é proporcionar um verdadeiro autoconhecimento ao praticante, e com isso alcançar uma vida mais produtiva, transformadora e realizadora.
Gustavo Oliveira
Diretor Geral da Uni-Yôga Vila Mariana
(11) 3589-7227
vilamariana.sp@uni-yoga.org.br
Instrutor de SwáSthya Yôga formado pela Universidade de Yôga
com curso de extensão pela Faculdade Belas Artes-SP e
Universidade Estácio de Sá-SC
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